quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Poemas de António Gancho



PRISÃO

Tu tinhas uma nascença que era uma prisão
uma certeza de estar concreto e unido
com a matéria de pedra
Que era uma tua sedimentação de vida
uma tua construção de movimentos a sair das grades
Era rico em Sol o teu peito de grades
concreto e unido sedimentavas dias de espera
duma letra que te abrisse os instintos para
falares de nada.
Era uma certeza de tu estares unido como uma raiz de mesa própria
uma certeza de estares virado para um
nascente de inconcretidade material
tinhas uma mão de peça de artilharia
de disparares para fora o conteúdo dos dias com
raiz de mesa própria
Eras um sol a nascer-te no sítio da grade
onde se punham ramos de quinta-feira de campo.
Tinhas uma natureza de estares sentado
Sobre uma cadeira que era a tua
esperança de estares unido com a nascença do movimento.
Tinhas um cantarem-te os cabelos no dia de dentro
um ser-te uma mágica a fusão de
olhar com a dimensão de esperança fora.
Eras-te igual à matéria da tua animação de selva
íntima
igual ao cantar-te seródio o tempo de pendular
na cabeça
Conhecias uma esperança de cortares os cabelos com uma
navalha de vento
mas era tua inspiração de um modo interior de vida.
Criavas um espaço aberto na clareira duma grade
que era um espaço celeste a cobrir de grego o cimento
Tu tinhas uma invenção de disparares saúde de dias
por fora da mão
Tu tinhas uma sensação absoluta de estares aberto com o espaço
duma grade
tinhas um ser-te grave o olhar para fora do dia
inaugurado de verde
Que se te abrisse a letra
era desejo de teres fonemas no nada de uma mão aberta
sem um rogar de branco.
O sol aberto em sentido de alusão a uma palavra de ti
era nada de o poente estar no sentido inverso.



*



MÚSICA

A música vinha duma mansidão de consciência
era como que uma cadeira sentada sem
um não falar de coisa alguma com a palavra por baixo
nada fazia prever que o vento fosse de azul para cima
e que a pose uma nostalgia de movimento deambulante
era-se como se tudo por cima duma vontade de fazer uma asa
nós não movimentamos o espaço mas a vida erege a cifra
constrói por dentro um vocábulo sem se saber
como o que será
era um sinal que vinha duma atmosfera simplificante
silêncio como um pássaro caído a falar do comprimento.



*


A ESTRADA

A estrada cumprimentava de vivas a manhã
abria-se a claridade do dia
a noção era consequência de uma ave marinha
não se esquece as coisas que o coração compõe
com igualdade diária
por a estrada por onde nós viajamos há sinais
de brilho
uma nave inunda o sentimento do corpo
para que tudo nos seja dimanado do
anúncio do tédio
Quanto tempo passou que nós estamos à
espera que tudo nos seja propício para
que a razão alimente o vício do ar e do
céu azul
tudo por nós era uma recordação heterogénea
aqui um sinal grave
se era uma papoila abria-se o mar à nossa frente
a nostalgia duma pálpebra aberta no silêncio da noite
por nós o que o tempo lamentava de sonoramente vivido
o que de nós esperou a terna manhã
cumprida como um jamais não haver minutos
o que em nós havia de tudo estar à espera
de que se abrisse um sinal para reflectir
tudo o que havia de solícito era dado por um
não haver mais grandiloquência no que se fosse contar
estar antes era estar à espera de que tudo acontecesse
secretamente para que nada mais houvesse de imanente no fundo
ah é dizer que o tempo não esconde um prurido de que tu
também fosses igual
a estrada andante é caminhar
nós vamos tu és uma noção grande e enorme do vento
perguntas pelo tédio e não há nada igual a isso
por onde caminhar é a pergunta aberta
somos o que fomos sempre
iguais à hora ao minuto
tu comandavas eu ficava era eterno
como o destino de te ver caminhar
uma asa afastava uma intenção
era grave a hora para que tivéssemos para contar
o que fosse de extraordinariamente movido
não se indica mais nada
uma mão aberta fala uma linguagem austera.



*


HOMOSSEM

A noite vinha com umas mãos curvas de milagre
eram mãos tuas eram mãos minhas curvas de milagre
tu eras um holofote azul de dirigires alucinações
de prazer cor-de-rosa
tu eras uma flutuação constante de penumbra e surpresa
era um corpo de admiração e sublime
eras garbo da tua idade já nocturna para o pecado
tinhas uma mão que fazia regressar o espaço
por onde puxavas o amor
eras um corpo suave de admiração e sublime
um requinte de trazeres intenções pelo fato
tinhas um casaco especial de convidar uma visita
uma surpresa emancipava-te a vontade do queixo
não esqueço uma tua boca de construção de virtudes
porque beijavas onde o símbolo requeria
havia-te casa pelo convite da mão
eu sabia que a tua palma tinha um rio que fazia estalar
o medo
era a sedução de tu meditares longamente sobre quem te fosse
mais próximo
e nascia um horizonte duma maneira do teu olhar
Fazias o espaço ser-te magia de convite
convidavas uma semente de ir lá
porque não se falava no que se ia saber
nós tínhamos um conforto de destino próximo e azul
que era a manhã de tu fazeres desaparecer o medo do rio
Não íamos quebrar fauna pelos bosques
íamos sair ao concreto do tempo
por onde tu erigisses catedrais de
inauguração sentimental
Era um amor que tinhas
era inauguração dum desejo
o medo do rio que tinha uma manhã por dentro
era tudo tão diferente e admirado de nós
a maneira das coisas nos olharem por cima do dia
como o que fosse diferente de imaginar
Nada acontecia
Tu eras um holofote azul de construíres
alucinações de meio-dia cor-de-rosa.


*




António Gancho
(Évora - Sintra; Portugal; 1940-2006)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Cuestionario de Irene Cruz para la revista de poesía Cuaderno Ático


La fotógrafa española Irene Cruz


Licenciada por la Universidad Complutense de Madrid en Publicidad y Relaciones Públicas, y Comunicación Audiovisual. Luego realizó el máster internacional EFTI, especializándose en Fotografía conceptual y creación artística, además de un curso especializado sobre iluminación narrativa cinematográfica.

Irene Cruz actualmente vive y trabaja en Berlín, y cuenta ya en su currículum con más de 250 exposiciones de fotografía, videoarte y videoinstalaciones en todo el mundo (destacando lugares como el  Palais de Tokyo de París, el círculo de BBAA en Madrid, La KunstHalle, Project Art Space de Nueva York o el MUA de Alicante, o el Da2 de Salamanca). Ha ganado premios importantes tales como el accesit de Fototalentos de la Fundación Banco Santander en 2010, el segundo premio de Fotografía Fundación AENA, el primer premio en el II Certamen de Fotografía CFC-Iberdrola en 2014, y el premio a mejor pieza de Videoarte de 2014 por la plataforma internacional Elmur.net. En 2015 participa en Photoespaña con la prestigiosa galería BAT, dirigida por Alberto Cornejo, convirtiéndose así en la artista más joven que ha participado en dicho festival en 2015.

Actualmente realiza video-instalaciones para la Deutsche Oper de Berlín, y da clases y seminarios en Universidad Complutense de Madrid, en la Universidad de Darmsdat, y en Freie Universität de Berlín entre otras. 

Irene Cruz además tiene obras en importantes colecciones nacionales e internacionales.
www.irenecruz.com - > About


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1. ¿Cree que las artistas plásticas (ilustradoras, pintoras, fotógrafas, etc) gozan de suficiente visibilidad en los medios editoriales actuales, o en otros medios alternativos como internet?

En los medios editoriales seguramente sigan teniendo aún más presencia los hombres, es algo con lo que tenemos que estar todavía reivindicándonos, pero en los medios alternativos, gracias al fenómeno de la auto-publicación y la facilidad de contactarnos unos a otros a través de las redes sociales, las mujeres tienen mucha más presencia que antes, o al menos una igualdad más real de oportunidades. 


2. Esboce algunos rasgos significativos de su creación artística, así como de la relación que ésta pueda tener con la poesía y la literatura.

Mi Obra es acerca del misterio, la privacidad, la integración en el paisaje… Me interesa realizar imágenes lejos de la personalización, cerca de representar emociones y sentimientos universales. Otra característica distintiva es la luz, la luz del atardecer, una luz fría… esa es, “mi azul”. Siempre he sentido una gran atracción por la iluminación tenue e íntima, sutil, serena, que envuelve el entorno. Rara vez muestro los rostros en mis fotos. 

Aunque creo que la clave principal de lo que representan es lo que la palabra “liminal” significa (refiriéndose a la posición del estado inicial de un proceso, o bien estando a ambos lados de una frontera o umbral); quiero decir, estando entre el día y la noche, la tranquilidad y la inquietud.

Mi fotografía considero que es muy poética, con la ayuda de símbolos siempre hablo de temas con una gran carga social. La vuelta al principio, al origen. Siempre hay elementos y colores que se repiten, como en toda poesía.


3. Recomiéndenos, por último, los nombres de algunas artistas plásticas que le interesen especialmente.


Susana Ragel (pintora fantástica), Leila Amat, Mona Kuhn, Nadia Baut (Fotógrafas), Celeste Ciafarone, María JL Hierro, Spinelli (Ilustradoras) y Annitaklimt (Collagista). 


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Fotografías de Irene Cruz en la revista Cuaderno Ático






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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Questionário de Sofia Carvalhinha para a revista de poesia Cuaderno Ático






A partir de 2011, dou início a uma etapa deveras importante no meu percurso pessoal e académico com a minha entrada na licenciatura de Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em 2013, fundo e passo a coordenar o grupo académico Mutações Poéticas. Trata-se de um projecto artístico dedicado à difusão das artes e culturas. Como se lê no manifesto do projecto: “não nos reunimos meramente para tomar o chá das 5 ou aplaudir metafísica de Pessoa”. Acreditamos plenamente na capacidade que a arte comporta em si de legar aos indivíduos os instrumentos necessários para a sua emancipação. Esta experiência inspirou-me para a fundação de um segundo projecto, também na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o “Murus – Movimento estudantil para a Cidadania”. A essência do projecto fora directamente transportada do Mutações Poéticas, abrangendo áreas mais diversificadas como a acção social, o ensino superior ou a pedagogia. A estes dois impulsos entusiastas segue-se a minha participação como colaboradora e redactora no Jornal Universitário do Porto, através de vídeos de opinião, comentário politico ou simplesmente textos filosóficos e poéticos. Assinala-se ainda a participação no projecto de alfabetização de adultos no Bairro do Cerco, pela associação juvenil “Rampa”, no qual fui formadora.

Na Universidade de Aveiro ingresso no Mestrado em Ciência Política em 2015. Num espaço de seis meses, sou eleita representante do mestrado e Embaixadora da Universidade de Aveiro no projecto “Bolsa de Mérito Social”. As actividades desportivas e artísticas alcançaram sempre uma posição cimeira nos meus interesses pessoais, tendo praticado teatro durante cinco anos e danças urbanas durante onze anos no Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, encontrando-me actualmente activa na procura de aulas de piano. A escrita e a poesia ocupam um lugar de profunda intimidade na minha vida e nela podem encontrar-se todos os grandes desígnios da minha alma.

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1. Qual é a sua opinião relativamente à situação editorial que vive a poesia escrita por autoras na actualidade? Tanto no que respeita a autoras da sua própria língua, contemporâneas ou não, como a autoras traduzidas.

Creio existir uma lógica de elitismo excessivamente elevado no que concerne aos critérios de selecção de autoras(es) que são publicados. Os critérios de selectividade nem sempre reflectem a difusão de conteúdos de qualidade para o público. As editoras maioritárias tendem a promover conteúdos mainstream e a asfixiar a emergência de novos autores. As editoras minoritárias regem-se igualmente por esta lógica de elitismo, trabalhando para públicos de classe média/alta, não se verificando quaisquer tipos de preocupações de índole social no trabalho desenvolvido. As editoras alternativas, mesmo querendo desenvolver espaços de maior abertura pela inclusão de novos autores ou pelo desenvolvimento de dimensões sociais, confrontam-se com pressões externas (orçamentos limitados, recursos limitados) que culminam com a redução de liberdade de acção das mesmas.


2. Esboce alguns rasgos significados da sua criação poética.

O processo criativo processa-se pela criação de um espaço de culto ao divino. O poeta encarna um canal pelo qual o divino actua e através do qual é materializada essa essência. Para que este processo decorra plenamente, exige-se do poeta uma autêntica espontaneidade. O processo de materialização do poema é feito compulsivamente. O poema deverá reflectir de forma transparente os estados espirituais experienciados pelo poeta. Tal não será possível, caso o poeta se prenda a processos de intelectualização das ideias e sensações. Neste seguimento, não é recomendável a alteração do corpo poético numa fase a posteriori.

Sendo o poema a expressão genuína da essência do poeta e do divino, quão mais intocável permaneça, mais sincero e próximo do divino manter-se-á.


3. Por último, recomende-nos algumas poetas (de qualquer época e lugar) que julgue de indispensável leitura.

Recomendo a leitura de poetas portuguesas como Natália Correia e Sophia de Mello Breyner, não só pela densidade poética das suas obras, mas essencialmente pelas personalidades politicamente activas e interventivas. Para um aprofundar da essência feminina portuguesa a poetisa Florbela Espanca.


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Poema de Sofia Carvalhinha na revista de poesia Cuaderno Ático


AO ENTARDECER DO SILÊNCIO

Ao entardecer do silêncio
como névoa condensada no meu peito,
recolho-me dentro de mim
neste pequeno berço de anseios,
onde se agitam esperanças ténues
e abalam dores inconquistadas.
Me pergunto, à criança que morre
brotando algures no lugar da alma,
quantas mágoas habitam em ti
e como me permaneces tão somente bela.

*

AL ATARDECER DEL SILENCIO

Al atardecer del silencio
como niebla condensada en mi pecho,
me retraigo dentro de mí
en esta pequeña cuna de ansias,
donde se agitan esperanzas tenues
y abalan dolores inconquistables.
Me pregunto, a la niña que muere
brotando en alguna parte del alma,
cuantas angustias habitan en ti
y como me permaneces tan sólo bella.

(Traducción de Sandra Santos)


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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Questionário de Luiza Cavalcante para a revista de poesia Cuaderno Ático



A fotógrafa Luiza Cavalcante



Luiza Cavalcante é fotógrafa, brasileira e viveu em sua cidade, Belém, até os 22 anos, quando decidiu morar em Buenos Aires até o presente momento. Durante esses 4 anos na capital argentina, realizou cursos de laboratório preto-e-branco; direção de fotografia para cinema e fotografia documental. Depois de participar e ser convidada nas mais de 20 mostras coletivas de arte e fotografia no Brasil e em Buenos Aires, teve sua primeira exposição individual em sua terra natal Belém no ano de 2013 chamada "Mirada - 5 mulheres, 5 universos" e em abril de 2016 teve sua segunda individual "Intimidad, fotografias sobre el silencio" en La Casa del Árbol, Buenos Aires. 
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1. Pensa que as artistas plásticas (ilustradoras, pintoras, fotógrafas, etc) usufruem de suficiente visibilidade nos meios editoriais actuais, ou em outros meios alternativos, como na internet?


Sim, observo cada vez mais artistas mulheres buscando meios para transmitirem suas vozes. Seja em forma de texto, fotografia, pintura, plásticas, quadrinhos ou tudo isso misturado. Muitas das artistas que sigo o trabalho ou que conheço a vida e obra, devo à tecnologia e à projetos editoriais. A tecnologia que eu uso me ajuda a manter contato com xs fotógrafxs que eu admiro, ainda que de longe, porém sempre vai existir essa necessidade de algo material, tangível. Gostaria que existissem mais projetos editoriais impressos para inspirar, colecionar e difundir (é um dos meus próximos projetos). 



2. Esboce alguns rasgos significativos da sua criação artística, assim como da relação que esta possa ter com a poesia e a literatura.

Meu pai é poeta desde muito antes de eu nascer. Sempre gostei muito de ler por influência dele e da minha mãe, que incentivavam muito a leitura. Sou daquelas que acreditam na história de que somos o que somos a partir de nossas experiências, do que lemos, do que vemos e do que sentimos. E meu trabalho tem muito de mim. Às vezes tem tanto que, mesmo quando não é um autorretrato, eu me sinto exposta na minha fotografia porque, para mim, é muito óbvio que eu estive ali. Tive que abandonar um curso de fotografia documental porque não conseguia encontrar o foco nas histórias alheias à mim, de desconhecidos. Não consigo contar uma história que não seja minha, preciso que essa história me emocione de alguma forma.


3. Recomende-nos, por último, os nomes de algumas artistas que lhe interessem especialmente.

É o tipo de pergunta que eu não gosto de responder, porque não consigo lembrar de todas que gosto e acabo fazendo um resumo incompleto do que eu realmente admiro. Vou responder as artistas no geral que eu lembrei neste momento porque vi algo sobre elas recentemente: a fotógrafa Francesca Woodman, Yoko Ono (como artista visual - não como cantora), Nan Goldin, Clarice Lispector, Virginia Woolf, Keila Sobral (uma gênia da minha terra), e por último, a mais importante na minha vida, a minha avó Edna - grande costureira, uma verdadeira artista que bordava com a alma.


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Fotografias de Luiza Cavalcante na revista de poesia Cuaderno Ático






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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Cuestionario de Francisca Pageo para la revista de poesía Cuaderno Ático



La artista visual Francisca Pageo



Francisca Pageo (Murcia, 1983), artista visual, enfocada en la fotografia y el collage. Es coeditora y directora de arte de la revista Détour. Trabaja y colabora con editoriales, agencias y revistas de arte (UTNE (USA), Indexbook (ES) o Gestalten (DE), entre otras), ha diseñado portadas de discos así como también ha llevado su trabajo a prendas de ropa (Limittted, Teelocker, ZAK) y ha expuesto en diversas ciudades de España así como en París, Milán, San Petersburgo o Helsinki.


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1. ¿Cree que las artistas plásticas (ilustradoras, pintoras, fotógrafas, etc) gozan de suficiente visibilidad en los medios editoriales actuales, o en otros medios alternativos como internet?

Por supuesto, de hecho pienso que es ahora cuando la visibilidad de la mujer artista está empezando a tener una gran repercusión. Las mujeres nos hemos visto relegadas a un segundo plano muchas décadas y siglos atrás, y gracias a internet y la aportación invididual que cada persona aporta en él es clave para una visibilidad total de la mujer artista.



2. Esboce algunos rasgos significativos de su creación artística, así como de la relación que ésta pueda tener con la poesía y la literatura.

Para mí la creación es una intuición y un anhelo de aquello que deseamos y/o que tenemos en nuestro interior. Crear es un juego que nos aporta vitalismo, esperanza, amor; y es innegable que lo encuentro tanto en lo que creo como en la poesía y la literatura, ya que todas beben de lo mismo, la psicología e imaginación humana.



3. Recomiéndenos, por último, los nombres de algunas artistas plásticas que le interesen especialmente.

Me interesa mucho la fotografía de Francesca Woodman, Julia Margaret Cameron, Sally Mann o Berta Vicente, por ejemplo. En torno a lo pictórico me gusta muchísimo el trabajo de Georgia O'Keffee, casi que podría decir que es mi pintora predilecta.


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Collages de Francisca Pageo en la revista de poesía Cuaderno Ático









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Cuestionario de Leila Amat Ortega para la revista de poesía Cuaderno Ático



La fotógrafa Leila Amat Ortega


Nació en Madrid en 1987, pero a los pocos años sus padres se trasladaron a Sevilla, donde se crio hasta los 18 años, edad en la que volvió a su ciudad natal para estudiar su carrera y un Máster. Filóloga de hispánicas y profesora de lengua y literatura, a día de hoy se dedica de lleno a la fotografía construida. Empezó a disparar a los 12 años, con una analógica. Desde entonces todo ha sido siempre una evolución tanto estética como técnica.  Fue en la carrera cuando se dio cuenta del gran apoyo vital que era la fotografía. Durante una grave depresión que sufrió durante cuatro años fue la única forma de agarrarse a la vida. Fue entonces cuando decidió (mal)vivir de sus imágenes, tanto económica, como espiritualmente. En la actualidad reside en Madrid en un humilde pero mágico pisito con Guille y sus perritas, Milka y Menta.  Ha expuesto en la Galería Cero, Photofestival, Microteatro por dinero o Casa Encedida, amén de trabajar con galerías como Lumas.

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1. ¿Cree que las artistas plásticas (ilustradoras, pintoras, fotógrafas, etc) gozan de suficiente visibilidad en los medios editoriales actuales, o en otros medios alternativos como internet?

Creo que conozco pocos medios donde la paridad entre hombres y mujeres sea un objetivo a cumplir. Internet ya es otra cosa, porque cada uno puede tener su espacio y todo dependerá de la capacidad de marketing que tenga cada uno, de cómo sepa administrar su propio trabajo en las redes, amén de la calidad de su trabajo. Ahora bien, lo que no depende de ti (y siendo mujer), todo se hace más cuesta arriba. Da la impresión de que tu trabajo vale menos, de que eres menos profesional, de que no puedes estar a la altura de los hombres y mucho menos organizarles o dirigirles. Hay que tener en cuenta que los puestos de mayor responsabilidad los siguen ocupando ellos en su mayoría y lo normal es que terminen contando con más hombres para sus proyectos. Hay excepciones, claro está, pero por norma general, trabajar con mujeres o colaborar con ellas sigue generando inseguridad y desconfianza. También quisiera poner la problemática de la excelencia. Siempre se dice que para que haya paridad, estás “forzando” a dejar a algunos fuera sólo porque son hombres, como si tuvieran que hacer un esfuerzo para seleccionar mujeres cuyo trabajo fuera profesional y de calidad. Mientras que a ellos les basta con estar en la media, tú tienes que demostrar que tu trabajo tiene la excelencia, que eres muy muy buena, porque no se te va a permitir la mediocridad. Y me parece estupendo, pero si pedimos excelencia, se la pedimos a todos.


2. Esboce algunos rasgos significativos de su creación artística, así como de la relación que ésta pueda tener con la poesía y la literatura.

Estudié Filología hispánica y un Máster para formación del profesorado y, aunque ahora no me dedico a ello, seis años metida en ese mundo te marcan de por vida. En definitiva, son las raíces de mi formación. Para más inri, carezco de ningún tipo de formación en fotografía en cuanto a cursos o escuelas se refiere, soy totalmente autodidacta. Creo que las imágenes mentales empezaron a nacer entre libros, de hecho, cuando me preguntan qué se puede hacer para empezar a realizar fotografía creativa, siempre recomiendo leer mucho. Nada genera más imágenes mentales que la la lectura y para este tipo de fotografía es muy importante meditar y pensar un poco qué es lo que se quiere hacer antes de coger la cámara. La fotografía y la literatura están ahí para interpretar la realidad, así pues, nada es más real que la ficción que desprende un libro, ficción que puede generar miles de imágenes mentales. Si a eso le unimos el lirismo que inspira una poesía, puede que ahí tengamos la clave para generar una imagen poética. Incluso una poética de la imagen.


3 Recomiéndenos, por último, los nombres de algunas artistas plásticas que le interesen especialmente.

Remedios Varo, Leonor Fini, Maruja Mallo, Celeste Ciafarone, Paula Bonet… y como fotógrafas Francesca Woodman, Dora Maar, Claude Cahun, Gertrude Kasebier, Julia Margaret Cameron, Diane Arbus o Lee Miller.


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Fotografías de Leila Amat Ortega en la revista de poesía Cuaderno Ático

















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